A Regional São Paulo da ABRAPSO convida estudantes, pesquisadoras(es), profissionais, ativistas, representantes de coletivos e movimentos sociais a participar do nosso 18º Encontro, espaço de compartilhar conhecimento e elaborar nossas contribuições por meio de debates sobre um continente em disputa, diante das profundas crises políticas, econômicas e psicossociais que incidem sobre a América Latina e Insular.
Considerando o nosso compromisso histórico em promover debates que contribuam com enfrentamento das grandes questões postas pelas lutas sociais e reconhecendo os desafios da contemporaneidade, o encontro estrutura por meio dos seus eixos temáticos as discussões fundamentais para a uma psicologia social crítica orientada a produzir aportes teóricos e metodológicos em uma perspectiva emancipatória e libertária.
A conjuntura atual, exige análises sobre as formas de resistência ao facismo, representado no avanço da extrema direita e suas formas de produção de noções ultra-conservadoras que configuram a subjetividade social, impulsionam discursos de ódio e desarticulam os laços de solidariedade coletiva. Em decorrência, forças políticas neoliberais retrocedem nos direitos constituídos, no desmonte sistemático de políticas públicas, na precarização e plataformização do trabalho, da saúde e da educação e a perda de garantias sociais historicamente conquistadas pela classe trabalhadora e movimentos sociais.
Neste contexto, reconhece-se que a crise climática contemporânea não é um acidente de percurso do desenvolvimento global, mas o resultado direto e previsível da lógica colonial e imperialista. O modelo econômico hegemônico, denunciado historicamente pela Psicologia Social crítica, opera sob a premissa de que a natureza e os corpos racializados são recursos infinitos a serem espoliados. Essa racionalidade exploratória, que fundamentou a invasão da América Latina, atualiza-se hoje no racismo ambiental e na destruição deliberada dos ecossistemas do Sul Global para sustentar o hiperconsumo do Norte Global.
Em perspectiva, também destacamos a desestabilização e reordenação das relações de poder pelas novas ferramentas de informação e comunicação, o interesse instrumental das tecnociências, o uso de tecnologias de vigilância, algoritmos de controle social e a mercantilização de saberes científicos que servem à manutenção do capital e da colonialidade e devem ser objetos de reflexão. A proposta é analisar criticamente a permanência das estruturas de colonialidade e imperialismo que continuam a reproduzir desigualdades, explorações e violências e incidem, especialmente, sobre comunidades originárias e identitárias. O extermínio e a violência estrutural, epistêmica e territorial cometidos contra povos indígenas, quilombolas, imigrantes, populações negras e a comunidade LGBTQIAPN+. O feminicídio e o desmonte da assistência psicossocial a crianças, idosos, pessoas com deficiência e pessoas em sofrimento psíquico. Para além da denúncia, é urgente que a psicologia social crítica se posicione e promova uma práxis implicada e radicalmente comprometida com a reparação histórica, a transformação social e a restauração da justiça.
A busca por novos horizontes civilizatórios na Psicologia Social encontra caminho nas formulações de Cida Bento. A autora traz o conceito de pacto narcísico da branquitude para explicar como as instituições perpetuam a exclusão e dominação por meio da colonialidade. Esse pacto opera como um acordo implícito que protege privilégios raciais e de manutenção do poder concentrado em discursos hegemônicos marcados pela branquitude, cisgeneridade, patriarcado, capacitismo e racionalidade tecnocrática.
Ao mesmo tempo, Cida Bento nos inspira a construir um pacto civilizatório ético-político comprometido com a ruptura dos silêncios históricos e com a continuidade do projeto de criação de novos mundos possíveis. Nessa bússola, dialogamos com a afirmação da escritora e poeta nicaraguense Gioconda Belli de que “la solidaridad es la ternura de los pueblos”, convidando a reconhecer a potência dos vínculos coletivos, da pluralidade e da construção compartilhada da vida social como fundamentos de projetos emancipatórios. Assim, nosso XVIII Encontro se oferece como um território de escuta, formação e insurgência, questionando: que outros pactos civilizatórios podem ser construídos a partir das lutas populares, dos saberes ancestrais e latino-americanos? Pretende-se que esse espaço tenha potência de disseminar conhecimentos que proporcionem a formação de redes, tecendo pactos civilizatórios contra-hegemônicos comprometidos com a justiça social, a autonomia dos povos e a defesa dos direitos humanos.