1. História, memória e bases epistemológicas da psicologia social ante os necessários novos pactos civilizatórios
Núcleo Grande ABC
Gil Gonçalves Junior (ABRAPSO) Débora Fazio Cigala (Fundação SA) Gabriela Vieira Alkimim (Instituto Lev)
Eixo 1: História, Memória e bases epistemológicas da Psicologia SocialContribuir para a obtenção de novos pactos civilizatórios, intento expresso no título deste XVIII Encontro Regional, tal como é possível entrever na ementa do Eixo 1, expressa a atualidade do objetivo da concepção de psicologia que impulsionou a constituição da ABRAPSO: produzir um conhecimento favorecedor da aquisição da consciência crítica necessária ao exercício da condição de agente de mudanças sociais. Isso porque, também nos termos dessa mesma ementa, como ocorre na atualidade, quando o imperialismo volta a expressar sua agressividade com intensidade e escala que ameaçam uma crise civilizatória, igualmente, na década de 1970, quando essa psicologia social foi concebida, vários países da região – em alguns dos quais também foi proposta uma psicologia social similar e com objetivo assemelhado – conviviam com a crise civilizatória decorrente das mazelas sociais e da violência próprias das ditaduras neles implantadas por esse mesmo imperialismo. Portanto, seja no passado, seja no presente, apresenta-se para a psicologia social crítica o objetivo de, conforme registrado no título deste Encontro, contribuir com o conhecimento produzido para a “construção de outros pactos civilizatórios”. Sendo contrapostas à chamada psicologia social norte-americana, então predominante, que adota orientação positivista e enfoque adaptacionista, essas concepções, para alcançar esse objetivo, valeram-se de bases epistemológicas e métodos atinentes ao fundamento dialético, com o intento de produzir um conhecimento propiciador de uma visão crítica e transformadora da sociedade. O fundamento dialético, certamente, é o elemento que propiciou à psicologia social sócio-histórica – impulsionadora da constituição da Abrapso – produzir um conhecimento que, não apenas quanto ao objetivo, mantém sua validade. Assim sendo, considerada a similaridade dessas conjunturas, o fundamento dialético dessas concepções e aquilo que consta na minuta do Eixo 1, propõe-se que esta Roda de Conversa constitua-se em um espaço dedicado a reflexões conducentes a se entender que “o desafio decorrente da [presente] crise civilizatória [...] deve ser entendido no fluxo histórico que o gerou, ao mesmo tempo em que se retome a memória dos movimentos da psicologia social de orientação crítica nesse mesmo fluxo, de modo a auferir subsídios para prover conhecimentos que possam contribuir para atuações em direção aos necessários novos pactos civilizatórios.”. Ou seja, em espaço destinado à apresentação e discussão de trabalhos que propiciem tais reflexões, com as quais quem os subscrevem se disponham a contribuir, bem como à participação de quem se interessa por esse tema.
2. Marxismo, Psicologia Social e Educação
Núcleo Popular Oeste Paulista
Davis Perez (UNESP) Sabrina Orgado Oliveira (PUCSP) Guilherme Achôa (UNESP)
Eixo 1: História, Memória e bases epistemológicas da Psicologia SocialEsta roda de conversa, promovida pelo Núcleo Popular Oeste Paulista, constitui uma invitação à apresentação e à discussão de pesquisas, experiências e formulações teóricas fundamentadas no materialismo histórico-dialético, notadamente aquele consubstanciado por Marx e Engels. A proposta se direciona ao debate acerca dos fundamentos filosóficos, epistemológicos, teóricos e metodológicos da Psicologia Social e da Educação e áreas afins, como Serviço Social, Sociologia, Filosofia, Trabalho e demais campos comprometidos com a compreensão crítica e a transmutação da realidade capitalista. Serão acolhidas pesquisas de iniciação científica, mestrado e doutorado, ações extensionistas, experiências de estágio, vivências profissionais, intervenções institucionais e relatos oriundos de movimentos sociais que tenham como referência o marxismo, o materialismo histórico-dialético ou tradições dele derivadas, incluindo contribuições vinculadas à Psicologia Histórico-Cultural, à Pedagogia Histórico-Crítica e a outras perspectivas orientadas pela análise das condicionalidades, mediações e determinações históricas e societárias dos fenômenos humanos. A roda pretende constituir-se em ambiência privilegiada para o exame do materialismo histórico-dialético e de seus desdobramentos na produção de conhecimento, na formação de pessoas e na intervenção social, ensejando a interlocução entre docentes, pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais interessados na constituição de uma Psicologia Social, de uma Educação e aéreas conexas situadas na tradição marxista. Serão igualmente bem-vindas comunicações dedicadas ao estudo da consciência e da subjetividade, da escolarização, da formação profissional do mundo do trabalho e de outras expressões da sociabilidade capitalista, desde que examinadas a partir de referenciais marxistas. Espera-se, assim, fortalecer espaços de articulação acadêmico-científica e profissional comprometidos com a apropriação rigorosa do patrimônio teórico produzido no bojo do marxismo, com o entendimento das contradições constitutivas da sociedade sob a modernidade capitalista e com a construção de alternativas voltadas ao enfrentamento e à superação das múltiplas formas de exploração, dominação e redução das potencialidades humanas produzidas pelo ordenamento social do capital.
3. Corpo, território e sofrimento ético-político na práxis psicossocial
Núcleo São Paulo
Livia Maria Camilo dos Santos (PUCSP) Gabriela Orrico Silva Falcão (Mackenzie SP)
Eixo 1: História, Memória e bases epistemológicas da Psicologia SocialA roda de conversa ora proposta pretende discutir conceitos fundamentais à práxis psicossocial originada no bojo das transformações políticas e sociais da América Latina na década de 1980, período que culminou no movimento de consolidação da Psicologia Social Crítica latino-americana. Diante disso, recorre a três dimensões essenciais dessa discussão e que nos permitem atualizar os pressupostos epistemológicos no âmbito de trabalhos com grupos, comunidades e no enfrentamento da desigualdade social. Nesse sentido, adentraremos na conceitualização de afeto “encarnado”, dando centralidade ao corpo e ao território em práticas orientadas por uma psicologia firmemente comprometida com o chão em que pisa, tendo como base teórica a psicologia sócio-histórica, o materialismo histórico-dialético e a filosofia espinosana. Entendemos o afeto encarnado como a dimensão material e corporal dos encontros humanos, produzida nas relações sociais concretas e inseparável das condições históricas e territoriais de existência.
Compreendemos que as clássicas cisões entre corpo/mente, indivíduo/sociedade e razão/emoção operam como estratégias históricas de dominação. Retirar a dimensão corporal dos estudos psicológicos implica em ignorar a sua potência política, como já nos alertava Baruch Espinosa: ""Até hoje ninguém determinou o que pode o corpo"". É justamente por essa potência que ele muitas vezes é constituído pelo discurso hegemônico como o indomável, o abominável ou o terreno dos pecados, quando, na verdade, trata-se do próprio veículo da emancipação. Paralelamente, como nos ensina o pensamento quilombola de Nego Bispo, ""o território não é um lugar onde a gente mora, é um lugar onde a gente é"". O território, portanto, funde-se ao corpo como espaço vivo de existência, resistência e produção de subjetividade. Embora oriundas de tradições distintas, essas perspectivas convergem na compreensão dos sujeitos como constituídos historicamente nas relações sociais, corporais e territoriais, recusando dicotomias individualizantes e abstratas.
Esta roda de conversa tem como objetivo central discutir as articulações entre corpo, território e afeto na práxis psicossocial, tomando como referência experiências concretas de trabalho com populações em situação de vulnerabilidade social. Busca-se, assim, ampliar as ferramentas e possibilidades teórico-metodológicas dos participantes para o enfrentamento e a superação das opressões e desigualdades que se manifestam no cotidiano. A roda estará aberta para estudantes, pesquisadores, e trabalhadores que atuam diretamente com populações empobrecidas e em situação de vulnerabilidade social.
4. Violência de Estado, produção de inimigos sociais e reparação: contribuições da Psicologia Social Crítica
Núcleo Popular Oeste Paulista
Priscila Carla Cardoso (UNESP) Laura de Moraes Murari (UNESP) Natache Khrystie Costa de Oliveira (PUCSP)
Eixo 1: História, Memória e bases epistemológicas da Psicologia SocialA proposição desta Roda de Conversa surge da importância de demarcar as temáticas da educação formal e não formal como campo possível à práxis de psicólogas e psicólogos sociais. Considerando a relevância dos processos formativos, de responsabilidade da Educação, como instituição social e direito, esta roda de conversa tem como objetivo agregar trabalhos que partam da crítica à instituições formativas formais e não formais da educação brasileira. O capitalismo constituiu a sociedade moderna com bases sólidas no colonialismo, patriarcado, capacitismo, racismo e sexismo, tendo o espaço escolar como mediador de políticas que priorizam a dominação e a alteridade. Atualmente, questões como fracasso escolar, indisciplina, autoridade e hierarquia, violência intra e extramuros, há tempos debatidas na Psicologia ao se tratar da educação, complexificam-se a partir das preocupações instauradas com o uso das tecnologias de informação e comunicação, o atravessamento de interesses econômicos explicitamente alinhados à dominação e ao capital estrangeiro, as questões de gênero e educação sexual, a militarização das escolas públicas, as reformas curriculares que priorizam a frágil perspectiva teórica fundamentada nas competências e habilidades, o desmantelamento da educação pública, entre outras temáticas que apontam para um processo formativo que não promove emancipação, mas antes sujeição e heteronomia. Some-se a isso a aprovação da lei 13.935 de 2019, que dispõe sobre a prestação de serviços de psicologia e serviço social nas redes públicas da educação básica, e os percalços para seu cumprimento. Todos os tópicos aqui elencados são pertinentes à discussão que se pretende promover na roda de conversa, considerando sua pertinência quanto ao tema do Encontro, uma vez que discutir o momento atual da educação brasileira é apontar para as possibilidades de outros pactos civilizatórios. Serão aceitas pesquisas científicas, experiências de estágio ou profissional, que problematizem as políticas educacionais e a escola a partir das questões elencadas e seus efeitos na subjetividade humana.
5. Psicologia Social e Feminismo: contribuições teórico-práticas para emancipação do sujeito político mulheril
Núcleo Popular Oeste PaulistaLorena Ribeiro Silvestre (UNESP) Nathalia Diniz Gregório Fragoso (UNESP) Thayná de Carvalho Moraes (UNESP)
Eixo 1: História, Memória e bases epistemológicas da Psicologia SocialEsta roda de conversa será dedicada ao exame e à discussão das articulações entre Psicologia Social e a teoria feminista de base materialista, buscando aprofundar a compreensão dos processos de produção e reprodução da exploração mulheril no bojo da sociedade patriarcal-capitalista. A roda convida, para tanto, estudantes, pesquisadoras(es) e profissionais da Psicologia e áreas conexas a compartilhar reflexões, experiências e produções que problematizem as dimensões constitutivas da sociabilidade assentada sobre as relações patriarcais e capitalistas em suas consubstancialidades de sexo, classe e raça, com vistas a fomentar o diálogo entre diferentes perspectivas teóricas e práticas comprometidas com a compreensão crítica da realidade social. Serão aceitas comunicações relativas a ações extensionistas, pesquisas, intervenções profissionais e relatos de experiências desenvolvidas em contextos relacionados à temática da roda. As contribuições poderão abordar tanto os fundamentos teórico-metodológicos das aproximações entre Psicologia Social e Feminismo quanto experiências concretas de atuação voltadas à promoção de direitos, ao fortalecimento do coletivo mulheril e ao enfrentamento das desigualdades vivenciadas por esse grupo. Pretende-se com esta roda de conversa favorecer a construção de um espaço qualificado de debate, capaz de ampliar a compreensão crítica dos processos de exploração e opressão das mulheres e de estimular a consolidação de agendas de investigação e atuação profissional comprometidas com a produção de conhecimento socialmente referenciado e com o fortalecimento da Psicologia enquanto campo científico atento às determinações históricas e sociais que conformam a experiência política mulheril.
6. Formação humana em tempos de precarização: contribuições da Psicologia Social para a atuação nas políticas públicas
Campinas e Região e Nordeste Paulista
Eixo 2. Políticas Públicas e plataformização da vida: Educação, Saúde, Assistência Social, Trabalho, Práticas e Tecnologias
A Roda de Conversa propõe-se a refletir sobre os desafios da formação humana e da atuação profissional para e nas políticas públicas diante das transformações contemporâneas marcadas pela intensificação das desigualdades sociais, pela precarização do trabalho, pela plataformização da vida e pelo enfraquecimento dos direitos sociais. A partir das contribuições da Psicologia Social Crítica, busca-se problematizar os processos de constituição da subjetividade em contextos de exclusão social, vulnerabilização e sofrimento ético-político. Serão debatidos os impactos dessas transformações nas políticas de Educação, Assistência Social, Saúde e Socioeducação, destacando seus efeitos sobre trabalhadores e usuários das políticas públicas. A discussão abordará a formação humana como processo histórico, social e cultural, considerando as mediações que produzem modos de ser, pensar e agir, bem como as possibilidades de resistência e transformação social. O encontro pretende promover o diálogo entre pesquisadores, estudantes e profissionais sobre os desafios e as potencialidades da atuação comprometida com os direitos humanos, a democracia e a justiça social. Reflexões que contemplem as minúcias do processo de plataformização enquanto produção de uma subjetividade imediatista, rasa, e frágil frente às atuações na materialidade, que por ser concreta e dialética, pede uma subjetividade capaz de refletir. Com os avanços da tecnologia, os reflexos do capitalismo tardio e o neoliberalismo, cada vez mais é possível identificar uma mudança de paradigma no sentido das relações humanas e como isso tem impactado a formação dos sujeitos, dos que viveram outra época para comparar e das gerações atuais. Além de identificar as fragilidades desse sistema, que forja subjetividades individualistas e “empreendedoras de si mesmas”, é necessário refletir o quanto isso alimenta organizações de subordinação entre gênero, raça e classe. A roda, então, busca além de respostas, exercitar novas perguntas para enfrentar e pensar novas formas de atuação para a formação humana, resgatando a mediação e o tempo como ferramentas dessa constituição de subjetividade. Serão aceitas propostas resultantes de pesquisas e experiências profissionais ou formativas que contribuam para uma práxis emancipatória, no enfrentamento às práticas excludentes, fortalecendo as políticas públicas.
7. Psicologia Social entre a transformação social e o chão do cotidiano: desafios, resistências e invenções da prática
Franca e Região - SP
Maria Eduarda Silva Valentim (Núcleo Franca) Marissa Vanini Garcia Neves Marques (Centro Universitário Municipal de Franca )Maria Fernanda dos Reis Queiroz (Centro Universitário Municipal de Franca ) Mariana Rocha Siqueira (Centro Universitário Municipal de Franca) Natália Amaral Antunes (UNESP - Franca)
Eixo 2. Políticas Públicas e plataformização da vida: Educação, Saúde, Assistência Social, Trabalho, Práticas e Tecnologias
A proposta visa criar um espaço de reflexão crítica, diálogo e troca de experiências sobre os desafios contemporâneos que atravessam a atuação profissional e acadêmica no campo da Psicologia Social. Considerando as complexidades presentes no cotidiano dos serviços, das políticas públicas e das populações atendidas, busca promover uma discussão comprometida com a análise das condições sociais, históricas e relacionais que produzem desigualdades, sofrimento e exclusão.
Partindo do entendimento de que a Psicologia Social possui um compromisso ético-político com a defesa dos direitos humanos e da justiça social, a atividade pretende fomentar debates sobre o papel de profissionais e estudantes diante das múltiplas expressões da questão social e dos desafios presentes nos diferentes campos de atuação.
A roda de conversa dialoga com as discussões sobre Psicologia e luta de classes, evidenciando a relação entre prática profissional e os processos históricos, econômicos e políticos que estruturam a sociedade. Também propõe refletir sobre os atravessamentos ideológicos presentes na produção do conhecimento e nas formas de intervenção, estimulando uma postura crítica diante de perspectivas que naturalizam desigualdades e opressões.
Para isso, fica importante refletir sobre a construção de um fazer contracolonial, pautado no reconhecimento e na valorização dos saberes produzidos nos territórios, nas experiências comunitárias e pelas populações historicamente marginalizadas.
Ao articular teoria e prática, a proposta busca fortalecer a Psicologia Social como instrumento de transformação, contribuindo para o desenvolvimento de práticas críticas, contextualizadas e comprometidas com a construção de uma sociedade mais equânime e inclusiva.
8. Experiências de organização coletiva e resistência rumo à emancipação e controle social, diante do avanço da terceirização e da lógica das plataformas.
Núcleo Grande ABC
Camila Marques Genangelo (ABPRASO) Mayara Aquemi Paceli Marimoto (ABRAPSO) Caroline de Paiva Souza
Eixo 2. Políticas Públicas e plataformização da vida: Educação, Saúde, Assistência Social, Trabalho, Práticas e Tecnologias
Diante das crises estruturais do capitalismo em um cenário global, avançamos para um neoliberalismo autoritário. Somado a isso, as políticas de austeridade reduzem o investimento nas políticas públicas, as crescentes privatizações dos serviços públicos e as formas cada vez mais precárias de trabalho - como as terceirizações e pejotizações - que afetam os trabalhadores e usuários, além da plataformização que tem criado barreiras de acesso a direitos.
Essa mesa tem como objetivo trazer relatos de experiências que foram capazes de organizar coletivamente os usuários em prol da ampliação de sua autonomia, controle social e participação cidadã. O compartilhamento dessas experiências se faz essencial para que a população, exercendo sua cidadania, possa lutar por melhores condições de acesso aos direitos e de oferta das políticas públicas.
Público Alvo: Trabalhadoras das Políticas Públicas, Psicólogas/es/os e estudantes
9. Psicologia Social e Educação: trabalho, formação humana e práticas educativas em perspectiva crítica
Núcleo Popular Oeste Paulista
Manuela Naresi de Borba (UNESP FCLAs) Isabela Wilfer Francisco (UNESP FCLAs) Laura de Lima Pansani (UNESP FCLAs) Lavínia Renó Tavares de Morais (UNESP FCLAs)
Eixo 2. Políticas Públicas e plataformização da vida: Educação, Saúde, Assistência Social, Trabalho, Práticas e Tecnologias
Esta roda de conversa será dedicada ao exame e à interlocução entre Psicologia Social, Educação e áreas afins, tomando como objeto as determinações que atravessam os processos de escolarização, socialização e constituição dos sujeitos na sociedade burguesa. Serão acolhidas contribuições relativas a formulações teórico-metodológicas e experiências desenvolvidas por docentes, psicólogos, assistentes sociais, gestores e demais trabalhadores vinculados à educação, com especial interesse pela educação básica. A roda receberá pesquisas, ações extensionistas e de estágio, intervenções profissionais e experiências voltadas à compreensão e ao enfrentamento das explorações sociais que incidem sobre os contextos educativos. Interessa particularmente o debate acerca dos impactos das transformações contemporâneas do capitalismo sobre a escolarização, as condições de trabalho, o acesso ao patrimônio cultural produzido historicamente pela humanidade e as possibilidades de desenvolvimento humano. De modo complementar, serão acolhidos estudos dedicados à análise crítica da formação profissional, especialmente em Psicologia, contemplando discussões sobre currículo, estágios e ensino. Notadamente interessa o exame das Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de Psicologia e da formação orientada pela lógica das competências, formulada pelo MEC e referendada pelo Conselho Federal de Psicologia, compreendida como expressão de uma racionalidade que subordina a apropriação crítica do conhecimento às exigências do mercado de trabalho. Nessa perspectiva, a roda acolherá trabalhos que problematizem a redução da formação à adaptação funcional dos indivíduos às demandas da acumulação capitalista, à empregabilidade e ao desempenho individual, bem como contribuições comprometidas com o estudo teórico rigoroso, a compreensão das mediações histórico-sociais da subjetividade, a crítica das relações de exploração e a atuação orientada pelos interesses históricos da classe trabalhadora.
10. Educação e sociedade: contribuições de uma psicologia social crítica
UNIP
Maria Cristina Dancham Simões (PUCSP/UNIP) Luciane Helena Mendes de Miranda (UNIP) Rodrigo Toledo (UNIP/PUC-SP/USCS)
Eixo 2. Políticas Públicas e plataformização da vida: Educação, Saúde, Assistência Social, Trabalho, Práticas e Tecnologias
A proposição desta Roda de Conversa surge da importância de demarcar as temáticas da educação formal e não formal como campo possível à práxis de psicólogas e psicólogos sociais. Considerando a relevância dos processos formativos, de responsabilidade da Educação, como instituição social e direito, esta roda de conversa tem como objetivo agregar trabalhos que partam da crítica à instituições formativas formais e não formais da educação brasileira. O capitalismo constituiu a sociedade moderna com bases sólidas no colonialismo, patriarcado, capacitismo, racismo e sexismo, tendo o espaço escolar como mediador de políticas que priorizam a dominação e a alteridade. Atualmente, questões como fracasso escolar, indisciplina, autoridade e hierarquia, violência intra e extramuros, há tempos debatidas na Psicologia ao se tratar da educação, complexificam-se a partir das preocupações instauradas com o uso das tecnologias de informação e comunicação, o atravessamento de interesses econômicos explicitamente alinhados à dominação e ao capital estrangeiro, as questões de gênero e educação sexual, a militarização das escolas públicas, as reformas curriculares que priorizam a frágil perspectiva teórica fundamentada nas competências e habilidades, o desmantelamento da educação pública, entre outras temáticas que apontam para um processo formativo que não promove emancipação, mas antes sujeição e heteronomia. Some-se a isso a aprovação da lei 13.935 de 2019, que dispõe sobre a prestação de serviços de psicologia e serviço social nas redes públicas da educação básica, e os percalços para seu cumprimento. Todos os tópicos aqui elencados são pertinentes à discussão que se pretende promover na roda de conversa, considerando sua pertinência quanto ao tema do Encontro, uma vez que discutir o momento atual da educação brasileira é apontar para as possibilidades de outros pactos civilizatórios. Serão aceitas pesquisas científicas, experiências de estágio ou profissional, que problematizem as políticas educacionais e a escola a partir das questões elencadas e seus efeitos na subjetividade humana.
11. A Psicologia nas ruas: práxis, resistência e transformação coletiva junto às populações em situação de rua
São Paulo e Nordeste
Gabriela Milaré Camargo IPUSP Michela Ruta PUC SP Paulo Vitor Palma Navasconi UNESP FCL - Assis João batista Araújo de Oliveira (Movimento Nacional de População em Situação de Rua)
Eixo 2. Políticas Públicas e plataformização da vida: Educação, Saúde, Assistência Social, Trabalho, Práticas e Tecnologias
No XVII Encontro Regional de São Paulo, iniciou-se um espaço de diálogo sobre práxis, resistência e transformação coletiva junto às populações em situação de rua (PSR),promovendo articulações entre pesquisadoras(es), profissionais e militantes interessades na temática. Diante do agravamento das desigualdades sociais, do crescimento da população em situação de rua, do aumento da violência direcionada a esse grupo e da persistência do racismo, observam-se também processos crescentes de criminalização de suas vidas, expressos na intensificação do policiamento dos territórios ocupados e na ampliação de normativas e financiamentos voltados às internações em Comunidades Terapêuticas. Nesse contexto, torna-se fundamental fortalecer espaços de reflexão, troca e construção coletiva.
As PSR evidenciam as contradições de uma sociedade marcada pela exclusão social e pelas dificuldades do Estado em garantir direitos. Trata-se de um fenômeno multidimensional, que demanda ações intersetoriais e comprometidas com a garantia de direitos. Humilhações, discriminações, violências e sucessivas violações de direitos, experiências que podem ser compreendidas a partir da noção de sofrimento ético-político. Sob uma perspectiva psicossocial, essas vivências impactam profundamente a subjetividade e restringem possibilidades de ação e participação social. O termo “populações em situação de rua” busca evidenciar a diversidade de sujeitos envolvidos, incluindo mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTQIAPN+, migrantes, crianças, adolescentes e idosos, cujas experiências são atravessadas por diferentes formas de opressão. Nesse sentido, abordagens interseccionais são fundamentais para compreender como racismo, gênero, sexualidade, classe e outros marcadores sociais produzem desigualdades específicas. Destaca-se, especialmente, a expressiva presença da população negra entre as pessoas em situação de rua, evidenciando o papel central do racismo estrutural na produção e manutenção das vulnerabilidades sociais.
Ao mesmo tempo, a rua é não apenas como espaço de exclusão, mas também de produção de subjetividades, resistência, solidariedade e organização coletiva. As PSR constroem redes de apoio, movimentos sociais e práticas de cuidado que afirmam a vida e reivindicam direitos.
A roda de conversa propõe acolher relatos de estágio, experiências profissionais, vivências de militância e pesquisas, buscando discutir práticas intersetoriais, comunitárias e territorializadas comprometidas com os direitos humanos, a justiça social e o direito à cidade. Pretende-se fortalecer perspectivas antirracistas, feministas, anticapacitistas e decoloniais, reconhecendo as pessoas em situação de rua como protagonistas de saberes, lutas e estratégias de resistência. A partir das experiências compartilhadas, busca-se refletir sobre os desafios éticos, afetivos e políticos da atuação nesse campo, as possibilidades de transformação coletiva e os impactos dessas discussões na formação em Psicologia.
12. Desigualdades, silenciamentos e resistências na educação: contribuições da Psicologia Social crítica
Núcleo Franca em parceria ao Núcleo Sorocaba
Stephany Matias de Oliveira Crisostono (Centro Universitário Municipal de Franca - Uni-FACEF. ) Maria Eduarda Silva Valentim (Uni-FACEF) Aline Christovão Cardoso (Universidade de Sorocaba (UNISO)) Mariana Rocha Siqueira (Centro Universitário Municipal de Franca (Uni-FACEF)
Eixo 2. Políticas Públicas e plataformização da vida: Educação, Saúde, Assistência Social, Trabalho, Práticas e Tecnologias
Os contextos educacionais são atravessados por relações de poder que produzem desigualdades, silenciamentos e diferentes formas de violência (Carneiro, 2023). Entre elas, destacam-se o racismo, as violências de gênero e os processos de epistemicídio, que impactam trajetórias escolares, modos de pertencimento e processos de subjetivação. Tais fenômenos não são isolados, mas expressam marcas históricas da colonialidade que hierarquiza sujeitos, saberes e formas de existência.
Este Grupo de Trabalho propõe reunir pesquisas, relatos de experiência, intervenções e reflexões teórico-metodológicas que, a partir das contribuições da Psicologia Social crítica, analisem as relações entre racismo, violências de gênero e epistemicídio na educação. Interessa-nos compreender como esses processos se manifestam no cotidiano educacional por meio da exclusão, invisibilização e deslegitimação de sujeitos e conhecimentos, afetando especialmente populações negras, indígenas, mulheres e grupos historicamente marginalizados.
Partimos do entendimento de que o epistemicídio envolve não apenas o apagamento de saberes, mas também a negação da legitimidade de determinados grupos como produtores de conhecimento (Carneiro, 2023). Nesse sentido, a desvalorização de saberes afro-diaspóricos, indígenas, comunitários e populares articula-se às dinâmicas racistas e sexistas presentes nos espaços educacionais.
Ao mesmo tempo, reconhecemos a potência das práticas de resistência que afirmam a diversidade epistemológica, promovem o enfrentamento das violências e fortalecem formas mais democráticas de educação. Serão bem-vindos trabalhos sobre relações étnico-raciais, práticas antirracistas, enfrentamento das violências de gênero, justiça cognitiva, saberes afro-diaspóricos e indígenas, formação docente, políticas curriculares, juventudes, saúde mental, psicologia escolar crítica e experiências comprometidas com a transformação social e a defesa da vida."
13. Colapso Climático: Resistência e re-existência na crise civilizatória.
Núcleo Vale do Paraíba
Eixo 3. Colapso climático, povos originários, territórios e coletivos sociais
Leandro Roberto Neves UFF Gabriela Andrei Fischmann (Universidade São Judas Tadeu) Kaynã Araújo Pimentel (Lar Ditoso)
Esta Roda de Conversa propõe um momento para aprofundamento de denúncias, análises e propostas de resistências e re-existências possíveis frente ao cenário vigente – como o caracteriza Bruno Latour - de desigualdades sociais intensificadas, fluxos migratórios forçados e convenientes, e o colapso climático em sua totalidade vivenciada e reconhecida. Para tal, abrange-se interessados nos temas, tanto pesquisadores como atuantes nas pontas ou mesmo na política, que aprofundaram estudos sobre, ou atuações bem-sucedidas, ou experienciadas e que promovam trocas para confluir saberes e relações. Com isso, possibilita-se formar um espaço a mais para nos reinventar frente aos desafios contemporâneos. A psicologia social promove uma análise crítica e implicada sobre as dinâmicas de produção e disputa do espaço material e vivido no capitalismo - consonante ou resistente às suas lógicas de cunho neoliberalista -, abordando, então, a relação entre território, justiça social e meio ambiente. Se faz indispensável e urgente localizar tais questões no âmbito do colapso climático vigente. Apesar de ser um fenômeno que acomete a todos, não se faz, não se sente e nem se compreende ele igualmente, podendo surgir daí, mil maneiras de se pensar tal evento. E, como diz Ailton Krenak, liderança indígena expoente para pensar e resistir a tal questão: para adiarmos o fim do mundo, é necessário contar histórias. Tal postura pluralista já se faz na contramão de uma hegemonia normatizante da Modernidade, em que autores decoloniais, como Malcom Ferdinand, e contra coloniais, como Nego Bispo, apostam enquanto movimento de saúde, de resistência e de aposta para futuros possíveis. Para tanto, propõe-se pensar temáticas tais como privatização, gentrificação, deslocamentos forçados, migração, considerando seus impactos em povos originários, comunidades tradicionais e coletivos sociais, para além de pensar como isso impacta nas populações modernizadas, inclusive nas organizações das cidades e toda a justiça, ou injustiça climática, que permeia tais territórios. Considerar se, de fato, são Modernas, enquanto questionamento latouriano e como se constituem as relações entre humanos e entre Humanos e Não-Humanos, recolocando a questão da política, enquanto cosmopolítica, seguindo na linha do pensamento de Isabelle Stengers e de Vinciane Despret. Cabe pensar no Brasil, a especulação imobiliária, violência territorial e violações de direitos enquanto evidências acerca da necessidade de resistência e autonomia. Serão exploradas estratégias coletivistas, populares e autonomistas para defender direitos e territórios frente às ameaças, neste cenário em que o que acomete às populações brasileiras. A análise inclui desastres socioambientais, conflitos territoriais e resistência às ações do capital, às mudanças climáticas e à crise civilizatória, promovendo uma compreensão crítica das relações entre território, poder, justiça social, sustentabilidade e ações de envolvimento, como nomearia Bispo.
14. Diálogos e intervenções em Psicologia Social Crítica e Comunitária: raça, gênero e classe como fundamentos para pensar a realidade brasileira
Núcleo Campinas e Região e Núcleo São Paulo
Eixo 4. Negritude na América Latina: ações e perspectivas anticoloniais,
Ana Carolina Silva dos Santos (Psicóloga (UNISAL) e Mestre em Educação (UNICAMP)) Elizangela André dos Santos (UNIP)
Esta roda de conversa tem por objetivo promover o debate, reflexão e escuta de intervenções psicossociais desenvolvidas a partir do referencial teórico da Psicologia Social Crítica e Comunitária que estabeleçam uma ligação crítica e ético-política com as relações entre raça, gênero e classe. As condições comunitárias serão discutidas enquanto ações que buscam promover uma nova realidade, frente a um contexto que expressa as desigualdades raciais e de gênero dentro capitalismo dependente brasileiro. Considerando que em sua historicidade, o foco das ações desses campos do saber, em um movimento de se repensar enquanto práxis fui se direcionar aos bairros populares e as periferias, com ações de conscientização, organização e mobilização, deve-se ter como horizonte um compromisso de localizar suas identidades sócio-historicamente. Ao refletirmos sobre a formação social brasileira, a partir de Lélia Gonzalez (1984), intelectual amefricana que defendia a necessidade de se discutir as relações entre o racismo e sexismo, as referidas localidades no país possuem uma particularidade importante – mas que na literatura da área em Psicologia Social Crítica e Comunitária é pouco debatida e explicitada: são compostas majoritariamente por pessoas negras e tendo os lares chefiados por mulheres, que são em sua maioria negras. Esta provocação se embasa em Freitas (2015) que ao discutir a prática psicológica na comunidade, indica que historicamente está voltada às classes populares, com pouco acesso a políticas públicas e bens materiais, em meio a um contexto de desigualdade social, e no Brasil, a população negra e de mulheres, e em particular a mulher negra, constitui-se como a sua base. Assim, defende-se que as imbricações de raça, gênero e classe são necessárias para uma análise crítica sobre esses territórios, em que não são afetados apenas pela pobreza, mas pelos efeitos do racismo e patriarcado que organizam nossa realidade social, e que encontram na historicidade do pós-abolição do sistema escravista a sua formação, tornado necessária e fundamental a discussão sobre as categorias de raça e gênero dentro desse escopo teórico e da prática profissional. Com isso, conclui-se que o campo teórico da Psicologia Social Crítica e Comunitária não pode se furtar de tal análise ao estar em contato com essa população, que possui especificidades históricas e ao mesmo tempo carrega uma potencialidade crítica de análise da realidade vivida, podendo auxiliar em seu projeto de compromisso ético-político. Assim, esta roda de conversa tem por objetivo congregar práticas, relatos de pesquisa e/ou intervenções, desenvolvidas por estudantes, profissionais e/ou pesquisadoras(es) que tenham interesse e vem desenvolvendo compreensões psicossociais que evidenciem esses sujeitos e territórios – seja em políticas públicas ou movimentos sociais, em que a prática comunitária e crítica seja pensada a partir das relações raciais, de gênero e classe.
15. Relações sociais e mundo do trabalho: desafios contemporâneos e práticas de resistência
Núcleo Campinas
Joyce Cristina Rodrigues (PUCSP/USJT) Juliana Lopes da Silva (UTFPR) Giancarlo Gonçalves (USP) Caroline de Lima Alves Pereira (USP)
Eixo 5. Mundo do Trabalho: precarização e resistências
As transformações contemporâneas no mundo do trabalho têm produzido diferentes formas de precarização, expressas na intensificação dos ritmos laborais, na flexibilização das relações de trabalho, na expansão da informalidade, na instabilidade dos vínculos e na
ampliação das desigualdades sociais. Embora esses processos afetem amplos segmentos da população trabalhadora, suas manifestações assumem características distintas quando
analisadas a partir das relações sociais de gênero, raça, classe, sexualidade, geração,
deficiência, entre outras dimensões que organizam a vida social. Esta mesa propõe reunir
pesquisas e experiências que investiguem como tais relações sociais participam da
constituição das formas contemporâneas de trabalho e precarização. Parte-se da compreensão de que as relações de gênero, raça, classe e sexualidade não constituem elementos externos ao mundo do trabalho, mas integram os processos pelos quais determinadas atividades são historicamente produzidas, hierarquizadas e submetidas a diferentes condições de reconhecimento, proteção e valorização social. Nesse sentido, interessa discutir como essas relações se expressam na informalidade, na flexibilização dos vínculos, na intensificação do trabalho e em outras formas de vulnerabilização que marcam a experiência de amplos contingentes de trabalhadores e trabalhadoras. Ao mesmo tempo, a proposta busca discutir as múltiplas formas de resistência construídas em diferentes contextos laborais, destacando experiências de organização coletiva, mobilização política, construção de redes de solidariedade e defesa de direitos. Interessa refletir sobre os desafios contemporâneos colocados ao mundo do trabalho, bem como sobre as possibilidades de enfrentamento das desigualdades e fortalecimento de práticas coletivas comprometidas com a ampliação da justiça social. Os objetivos propostos pela roda de conversa incluem: discutir os processos contemporâneos de precarização no mundo do trabalho; analisar como diferentes relações sociais participam da organização do trabalho e da produção de desigualdades; debater os impactos dessas desigualdades sobre as condições de trabalho, saúde e vida das populações trabalhadoras; compartilhar pesquisas e experiências voltadas à compreensão das formas de resistência e organização coletiva; promover o diálogo entre produção acadêmica, práticas profissionais e experiências de mobilização social relacionadas ao mundo do trabalho. O público alvo esperado para a discussão envolve pesquisadoras(es), estudantes de graduação e
pós-graduação, profissionais da Psicologia e áreas afins, integrantes de movimentos sociais, sindicatos, coletivos e demais pessoas interessadas nos debates sobre trabalho, desigualdades sociais e processos de resistência.
16. A centralidade da categoria trabalho em um contexto flexível: exploração, resistências e desafios psicossociais
Núcleo Grande ABC e Núcleo Nordeste Paulista
Eixo 5. Mundo do Trabalho: precarização e resistências
Francisco Greco (USCS) Eduardo Pinto e Silva (UFSCAR)
No decorrer dos anos 1980, Claus Offe inaugurava uma discussão sobre a centralidade da categoria trabalho na organização das relações sociais e na vida psicossocial dos trabalhadores, que havia sido precedida por sua análise do capitalismo desorganizado. Passados cerca de quarenta anos esta discussão ainda está presente, ao mesmo tempo em que as novas morfologias do trabalho acentuam processos de degradação social no contexto de crise do capital. Tais discussões merecem ser retomadas, considerando-se as atuais características de ambiente laboral flexível, com formas mais sofisticadas de controle e busca do consentimento dos trabalhadores, associadas a uma divisão técnica do trabalho, mediada por tecnologias microeletrônicas, e uma sistemática desconstrução dos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários. Guardadas as devidas proporções, essas novas formas de controle flexíveis do trabalho inauguram novas matrizes de controle da subjetividade dos trabalhadores e trabalhadoras, assim como reproduzem os processos de dor, adoecimento e sofrimento que recorrente e historicamente estruturam a vida psicossocial dos trabalhadores e trabalhadoras, implicando em novas formas de banalização da injustiça social, humilhação, constrangimentos e exploração no mundo do trabalho. Os controles flexíveis apresentam uma nova roupagem daquilo que acompanha historicamente o cotidiano de trabalho em suas dimensões pertinentes à dialética entre prazer e sofrimento, alienação e consciência, bem como aquelas que frustram as possibilidades de encontro do sentido e do significado do trabalho para além da mera sobrevivência. Os desafios para a organização coletiva dos trabalhadores e suas formas de resistência são enormes, diante de um quadro repleto de contradições e criminalização das organizações coletivas dos trabalhadores, incorrendo nos mais variados pactos incivilizatórios que só interessam aos donos do capital. Assim, inspirados pela provocação de Claus Offe sobre a centralidade do mundo do trabalho e a desorganização do capitalismo, a roda de conversa tem por objetivo receber propostas de estudos, trabalhos, experiências e práticas dos movimentos sociais quanto aos: a) Impactos psicossociais das novas formas de controle sobre a subjetividade dos trabalhadores; b) Experiências dos trabalhadores e trabalhadoras no enfrentamento da exploração e os processos dialéticos entre prazer e sofrimento, considerando suas mais variadas formas de reflexão crítica e práticas de resistência presentes nas narrativas, explicações e estratégias defensivas individuais e coletivas criadas para enfrentar as sofisticadas formas de exploração e as adversidades experimentadas no cotidiano de trabalho; c) Metodologias promotoras do protagonismo dos trabalhadores e trabalhadoras, na organização da sua cotidianidade, considerando as desigualdades decorrentes de relações de trabalho assimétricas; d) Desafios de pessoas trans para ingressarem no mundo do trabalho.
17. Mulheres no Mundo do Trabalho e na Academia: interseccionalidade, insurgências, desigualdades e inclusão perversa.
Núcleo São Paulo
Maria das Graças de Lima (Unipaulistana - Centro Universitário Paulistana Diane Portugueis (Universidade Metodista ) Solange Aparecida de Lima (PUC/SP)
Eixo 5. Mundo do Trabalho: precarização e resistências
Quando a economia do cuidado se transforma em performance? E quando a performance se converte em exigência permanente de produtividade, sobrevivência e exaustão? Quais são os desafios enfrentados pelas mulheres no mundo do trabalho e na academia em uma sociedade que naturaliza a sobreposição entre trabalho produtivo e reprodução social? Há inclusão efetiva ou formas cada vez mais sofisticadas de inclusão perversa?
Partindo de perspectivas críticas, feministas, interseccionais e decoloniais, esta roda de conversa propõe refletir sobre como a divisão sexual do trabalho, as desigualdades estruturais e a articulação entre produção e reprodução social produzem formas de exploração, precarização, produtivismo, sofrimento e produção de subjetividades, ao mesmo tempo em que engendram formas de resistência, insurgência e processos emancipatórios.
Como vivem mulheres que conciliam trabalho, estudo e cuidado? Quais são os desafios enfrentados por mães solo, mães atípicas, mulheres responsáveis simultaneamente pelo cuidado de filhos e de pais idosos, pesquisadoras, docentes, estudantes e trabalhadoras que convivem com a sobreposição entre trabalho produtivo e reprodução social? Há múltiplas formas de viver a condição de mulher, todas atravessadas por relações desiguais de gênero, classe, raça, sexualidade, geração, deficiência e outras formas de opressão e resistência.
Mais do que compartilhar resultados de pesquisa, este espaço pretende promover o encontro entre diferentes trajetórias, experiências e perspectivas, favorecendo o diálogo entre pesquisadoras(es), profissionais, estudantes, movimentos sociais e organizações da sociedade civil. Serão bem-vindos trabalhos acadêmicos, relatos de experiência, práticas profissionais e ações coletivas que contribuam para problematizar as desigualdades, visibilizar experiências historicamente silenciadas e fortalecer conhecimentos, redes de solidariedade, práticas insurgentes e processos emancipatórios comprometidos com a justiça social, a valorização da vida e a transformação das relações de trabalho e da academia.
18 .Luta Antimanicolonial e a urgência da radicalização da reforma psiquiátrica brasileira: memórias, resistências e protagonismo coletivo
Núcleo Sorocaba
Thaís Lopes Rodrigues (FLAMAS), Bruno Henrique D'arc da Silva Isadora Dispore Dias (UNISO)
Eixo 6. Protagonismo das margens e o papel das alianças: identidades, culturas e a quebra do pacto colonial
A consideração de nossa constituição colonizada é fundamental para compreender o tratamento historicamente conferido à loucura no Brasil. Desde o fim dos anos 80, o ""Manifesto de Bauru"", documento que marca a origem do Movimento da Luta Antimanicomial no Brasil, denuncia a mistificação do manicômio como instituição de ""tratamento"" e a brutalidade das instituições manicomiais, enunciando o cuidado em liberdade e a cidadania dos sujeitos como incontornáveis.
A Reforma Psiquiátrica brasileira (RPB) é parte das transformações propostas pela Luta Antimanicomial, com mudanças teórico-conceituais, técnico-assistenciais, jurídico-políticas e socioculturais (Amarante, 2007), entre elas a Lei nº 10.216/0. Ainda assim, algo se perdeu nesse processo, já que persistem desafios, retrocessos e contradições no campo da saúde mental, álcool e outras drogas.
A trama inseparável entre raça e manicomialização foi problematizada tardiamente no campo da saúde mental no Brasil, o que se explica, segundo David e Vicentin (2022), pelo próprio racismo, que valida a internação violenta do sujeito, em sua maioria negro, para obter, como real ""tratamento"", seu completo apagamento (Carneiro, 2023). David (2022) nomeia as engrenagens manicomiais como manicoloniais: a manicolonialidade é marca da perpetuação da colonialidade, que não cessa de produzir as populações condenadas de cada época pelos sistemas de segregação social.
Não à toa, enfrentamos o avanço da Contrarreforma Psiquiátrica e a institucionalização manicomial sob novas (velhas) roupagens, com o recrudescimento do racismo e da violência de gênero no centro do projeto em curso. É nas políticas de álcool e outras drogas, com a guerra às drogas (necropolítica contra pessoas racializadas e empobrecidas) e as comunidades terapêuticas, que se organiza o principal ataque à reforma (Passos, 2023; Costa; Mendes, 2026).
Diante desses retrocessos, propomos esta roda para (re)afirmar o compromisso com a radicalização da RPB, por meio da Luta Antimanicolonial, a partir das vivências do território da regional proponente: Sorocaba, que abrigou o maior polo de manicômios do Brasil, com mais de 2,7 mil pessoas internadas em 7 hospitais que, juntos, registravam mortalidade 119% superior à de outros grandes manicômios do estado (Flamas, 2011) - e cujo fechamento só foi possível por meio da luta social, que resiste aos processos de contrarreforma.
Nesse sentido, a roda proposta busca reunir estudantes, profissionais, usuários(as) dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial, familiares e demais pessoas interessadas no tema para o debate e a troca de experiências. Serão acolhidos trabalhos que apresentem relatos de experiência, intervenções em saúde e assistência social, bem como pesquisas que dialoguem com temas como racismo, luta antimanicomial, cuidado em liberdade, participação social, práticas comunitárias e experiências de resistência e protagonismo de sujeitos historicamente marginalizados e institucionalizados.
19. Patriarcado e ilusões: A implicação do homem como parte de um mundo mais justo
Núcleo São Paulo
Mauricio Jubert Corsetti Guimarães (PUCSP) Luana Correa Guimaraes de Abreu (PUCSP)
Eixo 6. Protagonismo das margens e o papel das alianças: identidades, culturas e a quebra do pacto colonial
A luta das mulheres contra o patriarcado não deveria ser somente delas, deveria ser uma luta de homens e mulheres contra um sistema que oprime e domina a todos e todas. A abertura pode parecer provocativa visto que os números do Anuário 2025 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam, ainda com dados subnotificados, que 40% das mulheres mortas em 2024 foram vítimas de feminicídio, um número 10% maior que 2023. Os números de estupros, também subnotificados, indicam quase 80.000 mulheres e meninas violentadas no mesmo ano.
Homens matam mais mulheres, mas também se matam mais, seja em brigas, no trânsito, com doenças silenciosas ou por abuso de substâncias ou de apostas. Culpar as mulheres e os movimentos feministas ou identitários é apenas uma ilusão que encobre a verdadeira face do problema.
O patriarcado pode ser analisado como a fonte de todos os males e Gerda Lerner, em “A Criação do Patriarcado”, traça sua construção sócio-histórica para o subjugo das mulheres e sua inferiorização, o que acaba por criar uma subjetividade perversa na mente masculina.
Diz-se pelas ruas que todos conhecemos uma mulher vítima de alguma violência, mas homens nunca conhecem nenhum homem autor de violência. Esta afirmação, que empiricamente se mostra verdadeira, nos leva a uma provocação, estão os homens agindo em seu melhor interesse?
Sun Tzu, em “A Arte da Guerra”, publicado por volta do ano 500 a.C., escreveu:“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.”
Nós, ativistas de movimentos feministas, raciais, anticapacitistas, anti-LGBTQIAPN+fóbicos, entre outros, precisamos nos fazer algumas perguntas: o quão bem conhecemos o inimigo? Homens conhecem as implicações do patriarcado e da masculinidade em suas próprias vidas? Como a interseccionalidade se apresenta nesta luta? Como os homens podem se autoidentificar com o sofrimento das mulheres como sendo deles próprios?
Algumas obras nos instigam a pensar as respostas: A “Ética” de Spinoza nos ensina sobre afetos, paixões e ilusões, “Amar e Brincar” de Maturana e Zoller nos mostra que nem sempre foi assim e que é possível existir algo diferente e, finalmente, “As artimanhas da exclusão” de Bader Sawaia apresenta que o sofrimento ético-político atinge a todos.
O público-alvo desta roda são estudantes de psicologia e profissionais de todas as áreas que desejem ampliar o alcance e a compreensão das mensagens dos movimentos feministas por meio de uma práxis que interfira na masculinidade. Homens são mais do que bem vindos.
O objetivo final desta roda é reunir o maior número de trabalhos que se debrucem sobre a masculinidade implicada e estimulem a autocrítica dos homens, construindo novos caminhos para a luta.
20. Mulheridades em Movimento: metodologias ativas, insurgências feministas e aprendizagens desde as margens
Núcleo São Paulo e Mogi das Cruzes
Nicole Soares Resende (PUCSP) Priscila Ferreira Fortini (UFPR) Victoria Soares Vidal (Universidade de Mogi das Cruzes e CRSPP) Daniela Alves Calaça (CRP-DF)
Eixo 6. Protagonismo das margens e o papel das alianças: identidades, culturas e a quebra do pacto colonial
As lutas feministas latino-americanas têm demonstrado que a transformação social não se produz apenas por meio da denúncia das desigualdades, mas também pela construção de práticas coletivas capazes de desafiar as formas coloniais de produzir conhecimento, organizar a vida e interpretar a realidade. Em diferentes territórios, mulheridades negras, indígenas, quilombolas, periféricas, camponesas, migrantes, pessoas com deficiência, dissidências de gênero e sexualidade e outres sujeites historicamente subalternizades têm construído formas de resistência que articulam cuidado, memória, ancestralidade, produção cultural, organização comunitária e ação política. Essa roda de conversa propõe-se como espaço de encontro, partilha e reflexão crítica sobre práticas, pesquisas e experiências que reconheçam as mulheridades como produtoras legítimas de conhecimento e transformação social. A escolha pelas metodologias ativas não se restringe a técnicas de participação, mas expressa um compromisso ético-político-epistêmico com formas de produção de conhecimento que rompam com hierarquias entre quem ensina e quem aprende, entre quem pesquisa e quem é pesquisado, entre teoria e prática. Interessa-nos discutir experiências nas quais rodas de conversa, pesquisa participante, educação popular, práticas grupais, intervenções comunitárias, linguagens artísticas e culturais e outras estratégias coletivas tenham contribuído para fortalecer processos de autonomia, construção e transformação identitárias, resistências e organizações políticas. A proposta dialoga diretamente com o eixo “Protagonismo das margens e o papel das alianças: identidades, culturas e a quebra do pacto colonial”, ao compreender que a colonialidade se sustenta pela naturalização de privilégios e pela deslegitimação de saberes produzidos por pessoas historicamente marginalizadas. Inspirada pelas epistemologias feministas marxistas, latino-americanas, negras, indígenas, decoloniais e contracoloniais, a proposta busca tensionar os limites de modelos acadêmicos e institucionais que historicamente silenciaram, subalternizaram ou não ouviram determinadas vozes, reafirmando a potência dos saberes situados e das experiências encarnadas na construção de alternativas emancipatórias. Serão acolhidos relatos de experiência, pesquisas, intervenções psicossociais, projetos de extensão, ações culturais, experiências de formação política e práticas comunitárias que dialoguem com temas como feminismos latino-americanos, feminismos negros e indígenas, interseccionalidade, educação popular, protagonismo comunitário, memória e ancestralidade, enfrentamento das violências, participação política, justiça reprodutiva, direitos humanos, coletivos de mulheridades, movimentos sociais, saberes tradicionais, acessibilidade, diversidade sexual e de gênero, além de experiências que contribuam para a construção de uma Psicologia Social Crítica Feminista Contracolonial comprometida com a transformação social.
21. Vozes que Transformam: Identidade, Reconhecimento e Protagonismo Social.
Núcleo Vale do Paraíba
Cecilia Pescatore Alves (PUCSP) Thais Felipe Silva dos Santos (UFRJ) Gustavo Rocha de Moraes (PUCSP)
Eixo 6. Protagonismo das margens e o papel das alianças: identidades, culturas e a quebra do pacto colonial
A roda de conversa ""Vozes que Transformam: Identidade, Reconhecimento e Protagonismo Social"" propõe um espaço de diálogo, reflexão crítica e construção coletiva acerca dos processos de constituição identitária, reconhecimento social e protagonismo político de grupos historicamente marginalizados na América Latina.
Vinculada ao eixo temático ""Protagonismo das margens e o papel das alianças: identidades, culturas e a quebra do pacto colonial"", a atividade busca problematizar os efeitos da colonialidade, do imperialismo e das múltiplas formas de opressão que configuram os marcadores sociais da diferença, tais como raça, gênero, sexualidade, classe social, deficiência, território, geração, nacionalidade e pertencimentos culturais. Partindo das contribuições da Psicologia Social crítica e de perspectivas decoloniais, contracoloniais e interseccionais, a proposta pretende discutir como identidades são produzidas e negociadas em contextos marcados por relações históricas de poder, exclusão e silenciamento, mas também como se constituem em espaços de resistência, reexistência, produção de conhecimento e transformação social. Interessa-nos destacar experiências individuais e coletivas que desafiam os mecanismos de dominação que sustentam desigualdades estruturais, expressando estratégias de organização, participação social, reconhecimento e construção de alternativas emancipatórias.
A roda pretende reunir pesquisadoras(es), estudantes, profissionais e integrantes de movimentos sociais para compartilhar experiências, práticas, pesquisas e reflexões que fortaleçam alianças políticas, sociais e epistemológicas comprometidas com a justiça social, os direitos humanos e a construção de outros pactos civilizatórios. Ao privilegiar a escuta, o diálogo horizontal e a circulação de saberes plurais, buscamos promover um encontro entre diferentes vozes e trajetórias, capaz de tensionar as heranças coloniais presentes nas relações sociais, nas instituições e na produção científica, contribuindo para a visibilização de epistemologias insurgentes e para a democratização das relações sociais. Serão acolhidos trabalhos de pesquisa e relatos de intervenção que dialoguem com a temática da roda, com o referido eixo e com a proposta geral do evento ""América Latina em disputa: colonialidade, imperialismo e Psicologia Social implicada na construção de outros pactos civilizatórios"".
Esperamos contribuições que abordem processos de constituição identitária, reconhecimento social, protagonismo político e cultural, resistências às diversas formas de opressão e produção de práticas emancipatórias, sob perspectivas interseccionais, decoloniais, contracoloniais e críticas. Serão particularmente valorizados estudos e experiências que evidenciem estratégias coletivas de enfrentamento das desigualdades e de construção de alianças voltadas à transformação social, à defesa da democracia, dos direitos humanos e da justiça social.